O meu computador está na minha varanda em cima do meu estirador.
Na parede ao lado está pendurado o meu calendário de parede. Gosto muito do meu calendário, é bonito e leva-me sempre para um dos melhores momentos que passei em Londres à três anos atrás. Para quem não sabe, eu odiei Londres. A Rita sabe, ela esteve lá comigo, mas para além dela são poucos os que sabem. Num dos adiantados dias que passei em Londres, após ter desmagnetizados 2 cartões multibancos meus e um cartão de crédito da minha irmã e de ter tido um fanico no meio do Harolds. A minha mana, após ver a minha reacção patética face ao últimos acontecimento concluiu "a minha Paulinha não está bem, está a precisar de mimo familiar". Desse modo, resolveu passar um dia inteiro comigo. Foi "um dia e pêras", independentemente do que essa expressão signifique. Passeámos juntas à beira rio, vimos o parlamento e a torre e tudo e tudo, ameaçamos andar no London eye, que estava infelizmente fechado e fizemos vistoria aos museus. Vimos a old Tate, o museu do Design e a Galeria Nacional de Londres, que eu adorei porque tinha muitas "Flamijices" que eu tanto gosto. A minha mana, para além do dia maravilhoso que me deu, ofereceu-me alguns docinhos nos museus. Postais dos quadros favoritos e o meu calendário.

É sobre ele que vamos falar. O meu calendário, que pelo simples facto de não desactualizar de ano para ano, para mim já era um objecto mais que bom, hoje, após olhar para ele com especial atenção, ainda me surpreendeu mais. Para quem conhece o Aresta Mobile (o meu porsheaut), sabe que objecto com vontade própria ao meu alredor não é novidade, mas um calendário que faz previsões no princípio do mês, quando o postal SEP é mudado pelo postal OCT, é demais... é brutal. Juro que não foi propositado. Fui eu que mudei, mas não escolhi propositadamente que postais estariam virados para cima. Só troquei o SEP pelo OCT e o 30 pelo 1. Estou com muito tempo livre mas, até para a ocupação de tempo livre há limites.
Passo desde já a fazer uma interpretação artística/social/astrológica dos postais apresentados pelo meu calendário no mês de Outubro.
Na coluna dos meses, ou seja, postais posição landscape, imediatamente abaixo do postal OCT temos "Interior with Waterlines" de Roy Lichtenstein, um quarto com uma cama em primeiro plano, e por baixo está uma fotografia de Sam Taylor-Wood chamada "Soliloquy I" que é um senhor deitado no sofá a tirar a sorna. Até então o meu Outubro, ainda novo é verdade, não tem sido mais que isso. Cama, sofá, sofá-cama, sofá, cama. E por enquanto, não há previsões que venha a mudar muito.
Na segunda coluna, temos o 4 que representa o dia e a "Pottery" de Patrick Caulfield, que representam não só um dos pequenos campos na área de design onde eu gostaria de trabalhar, como também a minha mais recente paixão, procurar enxoval, sendo que a cerâmica e os variados artigos que vêm dela, com uma grave excepção para bibelots, são os mais procurados por mim.
Na terceira e última coluna temos "O Caracol" de Matisse (em cima) que representa a minha forte vontade de ir fazer uma ondulação nos meus cabelos para contrariar a "tendência Babyliss" que anda a circular no meu grupo de amigas, e por baixo temos a grotesca "Weeping Woman" de Picasso que é sem dúvida um retrato da minha actual pessoa enquanto espera por um lugarzinho no mundo empresarial.
Meus amigos, qual Oráculo qual quê. O meu calendário é que sabe.