22.4.07

G.T.I.

Usando da mesma máxima masculina, que mulheres, carros e cervejas são em muito parecidos, vou comunicar aqui que entre a vontade feminina as coisas não são diferentes. Mas como em tudo o que se passa com as mulheres, as coisas não podem ser diminuídas a cor de cabelo, faróis e jantes de liga leve. Nós mulheres gostamos é de motores. A preferência é GTI's, potência e economia no que toca a carros, gentle, tall and intelligent no que toca a homens.

Em português, infelizmente tudo muda de figura, e nunca uma sigla foi tão ilustrativa dos problemas que a maioria das mulheres portuguesas sofrem, principalmente as que habitam Lisboa. Se reduzíssemos as descrições gentil, alto e inteligente a uma mera sigla ficaríamos com GAI e essa sigla povo, descreve maioritariamente todos os homens gentis, altos e inteligentes neste país. Os GTI portugueses estão reservados a homens, por isso amigas, desiludam-se e contentem-se com um GT, um GI, um TI ou mesmo um G, um T ou um I. Ter todas as letras no mesmo produto não me parece possível.

Eu encontrei um GTI, é português e solteiro. Eu vou-me embora daqui a uma semana. Lamento mas não dou cartas de referência ao GTI e não vos adianto quem possa ser. O futuro a Deus pertence e nunca se sabe o que reserva o meu. Vou guardar o GTI para mim, chamemos-lhe PPR.

21.4.07

Dancing Paula Away

Este era o tema da festa e apesar de ser suposto um grupo grande de gente "dançar-me daqui p'ra fora" eu e dois amigos, o Absolut e o Joi, fizemos quase tudo sozinhos. Não só dancei-me para fora deste país em tom de celebração, como dancei-me para fora do meu corpo, deixando-o muitas vezes cambaleante, não me reconhecendo em muito movimentos físicos mas acima de tudo, em muitas investidas orais. Se assustei alguém peço desculpa, mas digo que no meio disto tudo há boas notícias, não precisam voltar a olhar para a minha cara durante um período, que ainda que possa não ser longo, é confortável ao acto do esquecimento. A todos os que participaram no evento Dancing Paula Away, agradeço. Obrigado DJ pelo som.

6.4.07

Vá buscar!!!

E eu fui. Ontem chamaram-me Nazi, inédito contudo algo divertido. Eu sempre gostei muito de piadas nazis, do Alô Alô, de se gozarem os suecos durante a II Guerra, de acusar os alemães de incendiarem a Lapónia quando nesses tempos isso deve ter sido das suas melhores acções, enfim, trivialidades, mas nunca tinha sido centro de uma piada Nazi. Pediram-me cerveja, eu disse que se não estavam sentados só a poderia vender em copos de panástico, eles perguntaram e se bebermos ao balcão eu respondi, será em copos de plástico. És um pouco Nazi, disseram. Talvez, respondi. Eles agradeceram, pagaram e despediram-se com um Heil. Enfim, dias de café. Talvez não tenha dito a muitos de vós, mas faz mais de um mês que sou empregada de balcão de segunda, há quem seja de terceira, há quem seja de primeira. Os meus fortes são, caipirinhas, reposição, capuccinos, sumos de fruta variados, tirar imperiais e manter o balcão com pouca loiça suja. Os meus fracos são atendimento ao público, em geral. As pessoas aborrecem-me. Detesto o pedir de um cafézinho, ah era com adoçante, oh desculpe, esqueci-me mas tb queria um copo de água e assim se foi meia hora do teu dia nos meandros de servir um café a um tipo que acha que por 1 Euro que ele paga por aquele café o empregado que o serve não está a fazer mais que a sua obrigação.
Deixo a dica a todos os clientes chatos por esse mundo fora. 1º, não sou vossa empregada, sou empregada do café onde trabalho, 2º, a escravidão é demodé, 3º ainda que receba ordenado pelos serviços que presto, garanto-vos que não o suficiente para aturar certo tipo de coisas, 4º iva não é uma sigla estranha para gorjeta e todos os empregados daquele café agradecem no final quando lhe deixam alguma, especialmente quando tiveram que procurar o pão com menos sementes, voltar cinco vezes à cozinha com o vosso pedido para ele ficar como vós preferis, levar a água que afinal não era fresca, era natural e depois não era lisa, era com gás, servir-vos o café que era curto, em chávena escaldada, descafeinado, pingado, com leite frio, em chávena grande com adoçante e que depois é derramado, pela mesa, pelo chão, por cima de vós e que alguém, que dá pelo nome de empregado de mesa, tem que ir limpar. Juntando a isso um patrão, ou pior, uma patroa, que eu sei que quase todos os comuns mortais, nos variados tipos de emprego, têm que aturar, espero que comecem a pensar com mais carinho naquela criatura que vos serve nos vossos momentos de lazer, vós, oh burguesia lisbonense.

1.4.07

Com a comida não se brinca.

Sim, concordo. Ele há statements que não podem ser ignorados. Mas se metamorfosearmos (salvo erro ortográfico) com a comida, será que isso entra no conceito de brincadeira?
Em manhã de café duplo em chávena longa, segui por um croissant com recheio salgado e desde logo vi que o dia não tendia a adocicar. Sei que muitas vezes predestino a fome que se avizinha, não por acreditar na escassez de alimentos mas simplesmente porque sou pessimista em muitos aspectos da vida. Água vai, água vem, dei-me conta que por vezes os bolos mais doces são os que têm pior aspecto. Olhei com surpresa para aquela fatia de bolo, pouco sedutora e mal cortada e pensei para comigo, porque estou eu com tanta vontade de a provar. Após pensar, não muito que sou pouco presistente com certo tipo de coisas, dei-me conta que também no alimento a vida é feita de obsessões. Ele há coisas que são necessárias e que por isso tomamos-las diariamente sem sequer ligar ao sabor. Há coisas que podemos comer todos os dias e nunca nos fartamos delas, há coisas que odiamos e há outras que não descansamos até podermos comer. E é só quando satisfazemos esse pecado de gula, que derepente abrimos o paladar a novos pratos e sabores, e aí reside o perigo de entrarmos numa nova obsessão.

Bom, dê por onde der, venha de lá esse festim.