18.11.06

Leitura do dia. "O acto carnal e a localidade urbana"

Li hoje num "inimigo" muito antigo que andava cá por casa, porque eu sou pessoa que acumula inimigos, a melhor descrição que poderia ter lido da nova, ou já não tão nova, da recente novela da SIC, a Jura, e acho que apesar de desactualizado, vale a pena partilhar com todos os que não são viciados naquele jornal de 8 páginas, como eu. Passo a citar.

"(...)"Jura" adapta um «formato» chileno ou coisa que o valha, mas no fundo é um aportuguesamento de "O Sexo e a Cidade". Sem ser provocante nem inteligente nem estiloso, digamos que em vez de "O Sexo e a Cidade" nos saiu na rifa uma espécie de "O Acto Carnal e a Localidade Urbana". Há gente que mexe em gente, cenas de cama, um nadinha de mamas e até uma sugestão de minete (uma promessa de Abril que ainda não havia sido cumprida). Mas há sobretudo gente a conversar sobre sexo, geralmente amigas parvinhas, umas que se lamentam de carência ("se ao menos nós nos dêssemos bem na cama"), outras de excesso ("acho que os assusto com a minha energia"). E há os aforismos dignos de La Rochefoucauld: «Preciso do sexo para me sentir viva». Ou: «Não consigo manter uma relação». Ou: «Foi maravilhoso» (homenagem ao «Gostastes? Queres outra?» do magnífico Telmo do BB).(...)"

bla bla bla. Falam sobre o lado pior da novela, ou seja o querer parecer ter consciência social, concordo muito. Fala da Patrícia Tavares com a «dra. Simone» uma das personagens mais complexas alguma vez criadas para a ficção nacional, tão profunda que não vos vou descrever com o meu tom superficial. E finaliza:

"(...)Globalmente, "O Acto Carnal e a Localidade Urbana" ("Jura" para os amigos) é uma novela com dez tostões, menos gajas giras que a TVI e actores que metem medo ao susto. Além de uma impagável voz off final que resume as angústias e as quecas do episódio, numa mistura de Júlio Machado Vaz sem sofá com as efemérides que o Mário Crespo debita enquanto nos mostra se amanhã haverá granizo nas terras altas."

A descrição estava tão boa, e tocou-me tanto ao coração, que sendo a televisão por enquanto o único tema que tenho para este blog, não resisti em partilhar convosco.

Falta mencionar que o texto entre aspas foi escrito por Marcos Pombal, que é para não me acusarem de plágio. Dizia-vos a data do jornal, mas a primeira página serviu para limpar o vidro da televisão, por irónico que pareça, não é.

16.11.06

E como cada astro só tem uma órbita...

"Your innately strong business head and practical skills are coupled with imagination and innovation to bring a spurt of advancement your way. Information received from far away could prove especially valuable at this time, Paula."

Gostam da forma como eu emboldo a informação que me interessa no bom do horóscopo? O resto era pouco interessante. Vais sair, vais ter oportunidade de conhecer romance - tretas. O que importa e que não é treta, porque eu sei reconhecer informação que interessa numa previsão dos astros, desde que não seja feita pela Maya, é que o astro que rege o meu signo vai enviar-me amanhã ou depois, porque se os correios atrasam porque hão-de os astros andar a horas, "Informação de longe que será especialmente valiosa a esta altura do campeonato." e ma nada.

13.11.06

Se eu não preciso de luz azul para ver um episódio do CSI porque é que a menina do anúncio da Vodafone precisa de ir para o gueto para ver o MTV Yo!?

Canta para ti, de preferência baixinho.



Se quisessem interpretar o título deste post porderiam concluir que eu estaria a falar daquelas pessoas que nasceram com a música no coração, que todas as noites antes de adormecerem dizem para si mesmos "Cantarei até que a voz me doa" com tom sofrido de fado e que acreditam que toda a sua vida está repleta de coincidências (a palavra não é bem coincidência, é sinal), repleta de sinais que lhe dizem que foi feito para a música. Poderia ser, mas não é isso que me traz aqui.

Também poderiam interpretá-lo como a estória da jovem rapariga que se inscreveu no clube de teatro amador de uma escola C+S de subúrbio, e um belo dia, no intervalo do ensaio da leitura de um poema de Pessoa, a jovem pessoa dirigi-se à casa de banho e após lavar as mãos, passa-as molhadas no seu rosto e olha-se ao espelho com a sensação e expressão que essa foi a primeira vez que realmente se viu, apoia as mãos no lavatório, olha-se de novo ao espelho e diz em voz alta "O meu sonho é ser actora". Depois desse desabrochar de perspectiva de carreira profissional, ao qual chegou sem a ajuda de nenhum teste psico-técnico, começa a levar o seu sonho tão a sério que transforma a sua vida num guião da TVI no qual ela, tal qual mocinha desprotegida engravida mais cedo, vendo-se obrigada a cancelar todos os seus grandes sonhos. Poderia ser este o assunto, mas também não é disto que eu vou aqui falar.

O que me traz por cá hoje é o adorável novo "concurso" da TVI que atende pelo nome de Canta por Mim. A quem não conhece, eu explico as regras. Há a anfitriã/apresentadora Teresa Guilherme (ou será Júlia Guilherme?, não. Teresa Pinheiro. Não também não é isso, Júlia Pinheiro) É a Julia Pinheiro. "apresentadora/anfitriã/pseudo-intelectual/nova-gente" que abre o espectáculo com intenções semelhantes às da Catarina Furtado mas "bem mais vestida/bem mais mal vestida/bem menos despida". A Teresa (ai já me enganei outra vez) a Júlia apresenta as regras do jogo e os concorrentes. Há de quase tudo neste circo temos o "palhaço-rico/apresentador/ex-cozinheiro/cantor", o "palhaço-muito-rico/mulher-do-director-do-canal/ex-cantora/jornalista/cantora", o "palhaço-não-tão-rico/actor/actriz/cantora/cantor", temos o "palhaço/desocupada/mãe-de-duas/ex-mulher-de-ex-primeiro-ministro-de-ex-presidente-da-câmara/cantora", temos a "sexóloga/cantora", para compor o ramalhete. A este grupo restrito de pessoas, podemos chamá-los artistas, que eles gostam e até estão acostumados. Junto a cada uma dessas personagens temos os acompanhantes que são normalmente cantores/as sendo que alguns compõem e outros também representam. Depois temos o palhaço-pobre, ou pronto, para não me acusarem de maldade, o pobre, que narra a sua vida muitas vezes realmente triste, muitas vezes apenas igual a de qualquer português que viva com um ordenado médio-baixo.

Acho que já apresentei todos... pois bem o pobre narra a sua história, o palhaço rico chora, dá a mão à Teresa e recebe carinhos do seu "acompanhante/macaco-de-imitação". Felizmente recompõe-se do desgosto, levanta-se normalmente exibindo belas roupas, ou então não, e vai cantar para o palco com o seu acompanhante. Depois há o juri. O juri avalia, como é suposto um juri fazer. Há o "maestro/já-te-reformavas", há a "o-que-é-que-ela-faz-mesmo/coluna-social" e há o "holandês/homem-rico/produtor/ex-marido-da-Luísa-Lencastre".

Agora vou falar do que me traz realmente aqui. Eu já vi o programa, gostei muito mas o que eu gostava mesmo de ver neste programa era o sr./maestro reduzir o discurso e dizer com toda a sinceridade "a menina canta mesmo mal, onde é que eu deixei a bengala. Cai neve em Nova Iorque faz sol no meu país, porque eu já fiz um programa com a Bárbara. Ai que calor que está aqui. A menina já que está aí de pé podia ir buscar-me um copo de água. O que é que eu vinha aqui mesmo fazer? Quem são estas pessoas? Porque é que está tanta gente a olhar para mim? Tome lá um 6(nove)". Gostava de ver a outra dizer "Já sei porque me chamaram para avaliar a sua cantoria, deve ser pelas selecções maravilhosas que eu faço para os CD's de Natal da Caras. Acho que cantou assim olhe, bem, mais ou menos, podia ser melhor, mal. Cantou mal mas não fique triste minha querida que continua chiquérrima, gosto muito de a ver com esse vestido. Comprou onde? Olhe vou ter que dar 10 a esse vestido. É o máximo" e gostava de ouvir o holandês dizer "tu és muita boa e adorei ver-te a passear pelo palco mas cantas muita mal. Eu queria mesmo era dar-te 1, mas infelizmente só me deram dois cartões por isso tenho que dar 9".

Era isso que eu gostava de ouvir neste programa, porque se aquilo continua assim, e conhecendo a TVI como todos a conhecemos, aquela gente toda que é da área de representação curiosamente da ficção nacional da TVI, vai fazer um disco cuja a música de abertura será "We are de worlde, we are de xildrene" e depois lançam-se em carreiras a solo. Não que eu tenha alguma coisa contra carreiras duplas, eu mesma sou uma arquitecta designer que é como quem diz "designer-de-produto/gráfico/interiores/desenhadora/dêem-me-trabalho-por-favor" e sei que uma pessoa tem que ser flexível. Mas não acho normal que a TVI esteja a tentar lançar no ano de 2007, 20 novos cantores acabadinhos de sair da novela da Maria Laurinda, sendo que muitos deles cantam para 1 e não para 10, com a desculpa de ser "Por uma boa causa".

8.11.06

"Have u seen a guy with a mustache, he went that way!!"

Tanto fizemos por conquistar no passado que acabou por se reflectir no futuro. Quem achava que os passados coloniziadores não eram queridos pelos colonizados, desenganem-se. Hoje podemos concluir que foi um acto de amor, e amor com amor se paga.
Lembro-me hoje com saudades das minhas calças de ganga com cintura elástica, do meu cinto de tecido com todas as cores do arco-íris, dos meus pulovers tricotados pela Mãmã e pela Titi e do meu belo par de botas de borracha. Tudo isto podia ser usado no tempo em que Portugal era o cu da Europa e em Novembro era Inverno.
Hoje, como país africano é com orgulho que deito a língua de fora a todos os que são ricos mas não têm um clima tropical. Hoje, como país africano respeito os dias de chuva intensa, trovoada e cheias e alegremente mergulho no lamaçal com os crocodilos. Hoje como país africano mato mosquitos como se de tal dependesse a minha vida, pois é sabido que é melhor matar o mosquito ao mosquito matar-te a ti.
Estou honestamente farta de tanto bicharoco no ar. Eu achei, em tempos, tal qual como os colonizadores, que isto do tempo quente tinha piada, mas aparentemente só serve para plantar açucar e açucar causa diabetes. Estou farta de ser um país de Sul. Quero viver num sítio que tenha quatro estações do ano em vez de uma e que todas sejam equilibradas e amenas.
Desenganem-se os que pensam que só estou a escrever isto porque quero muito voltar para a Finlândia. Eles também não têm quatro estações, têm duas e só uma é que é amena e equilibrada. Este texto é um desabafo à mosquitez (não confundir com mesquinhez) porque não falo de bichos no sentido figurado. Estou a falar de mosquitos mesmo. Quero um moscócídio... quero acabar com a espécie, quero matá-los todos. Desculpem a loucura inquisidora mas quero uma limpeza de espécie animal. Quero um geada que leve tudo quanto é bicharoco mais pequeno que um apara lápis para o tal sítio de onde nunca deviam ter saído, o cu dos ingleses, o sítio onde nascem todas as coisas, para perto do CRIADOR.

6.11.06

Há um ano a dar-lhe com a batuta.

O céu é o limite. (107º Post)

O Senhor Maestro completa este mês um aninho. Parece coisa pouca mas há quem aprenda a andar em menos que isso. Faz um ano que chegou aqui todo envergonhado, com uma overture na qual se escondia atrás de um copo de tinto e desde então nunca mais se calou, salvo uma ou duas situações que lhe cortaram o pio durante semanas.

O Maestro cresceu no último ano, nada de abismal, um ou dois centímetros, mas que parecendo não ser nada, já ajuda. Hoje como prova que não se esqueceu dos que o ajudaram, o maestro faz uma listagem do que mudou no último ano na Blogosfera, o quanto os seus amigos cresceram enquanto ele se uniu a esta bela comunidade.

O Maestro aprendeu de forma muito simples a mudar a sua cara e a vestir-se melhor, a vestir-se exclusivo, longe de templates pré-fabricadas. Nada demais, (que ninguém tenha feito antes) nada de complicado e sem ser feito grande esforço, pegou no molde e alterou-o um bocado. Mas foi um grande passo para o Maestro. O Maestro sentiu-se capaz de aprender novas línguas e dedicou-se ao crescimento do seu poliglotismo de forma autodidacta. Hoje o Maestro domina os pronomes finlandeses (minä, sinä, hän, me, se, hen) e os seus variantes, números (yks, kakse, kolme, nelja, viis e mais) e alguns verbos no infinito. Está a começar os casos gramaticais e já aumentou o seu vocabulário. A aprendizagem do código HTML fê-lo acreditar que é sempre possível ir mais longe.

O Maestro por outro lado continua com algumas limitações em imagem. Refiro-me a "postar" images. A Maestrina por trás do Maestro, a tal velha estória de atrás de um pinguim macho haver sempre um pinguim fêmea, até é uma pessoa que gosta de fotografia. Gosta de ver, de revelar, de as organizar em albums mas tem um gigante problema com manutenção de baterias. É uma tarefa verdadeiramente árdua manter algo alimentado por muito tempo e talvez seja por essa razão que os pais da maestrina nunca a deixaram ter um cão. Talvez um dia quando a alimentação de câmaras, telefones e sistemas audio portáteis se fizer através do umbigo, este blog comece a ter imagens que não sejam roubadas ou pedidas emprestadas do getty (aquele grande website). Os seus amigos por outro lado, fazem-no de perna as costas. Ele é post fotográfico atrás de post fotográfico. E montagens, e boas luzes...supimpa.

Os amigos do Maestro sabem pôr filmes nos seus blogues. O Maestro, até então nem tentou. Em primeiro lugar porque deu-se conta que o YouTube é um site grande demais para o seu gosto. Muita informação e péssimo aspecto. Já a wikipedia agrada-lhe, começa-se a reconhecer alguma apreço por informação estática. Não ao tele sim ao jornal. Já dizia a canção "Video killed the radio star" e convenhamos que não é segredo para ninguém que os maestros de um modo geral são tipos conservadores. Vê-se-lhes no fato.

Os seus amigos sabem pôr músicas nos blogs. O maestro não quer saber, ele musica prefere ouvi-la no iPod. E musiquinha boa foi o que não faltou ao Maestro. Foi um ano em grande, Bons concertos, abrir a mente a coisas para as quais as tinha fechada, fazer novos amigos, aprender com eles. Foi um ano em grande. Mais de 50% do ano foi mais do que qualquer um possa esperar. Agora é só pedir que o próximo seja pelo menos igual.

Um grande abraço a todos. Espero que continuem por aqui a comentar volta e meia. Por hora acho que só volto a postar lá por alturas do Natal, a menos que, e citando João Pinto, isto dê uma volta de 360º.

(o dia certo de aniversário do pinguim é 18 de Novembro, mas estava aborrecida e resolvi postar mais cedo, não vai dar azar porque não é uma comemoração, estou a mencionar)