30.3.06

E que tal eu vir a ser Doctor of Arts?

Não sei se vos parece boa ideia ou não. Não sei se me parece boa ideia a mim. Mais 4 ou 5 anos de estudo e para quê?
Sra doutora o meu candeeiro não respeita as regras do bom gosto finlandês!! Sra doutora onde fica o On/Off da minha chaleira eléctrica? Sra doutora disse plástico ou panástico?
Vocês que me conhecem melhor que eu a mim mesma acham que eu vou ter estofo para escrever uma disertacão sobre o design, objectos inteligentes, inclusividade, acessibilidade, materiais, tecnologias and so on durante 4 ou 5 anos? Mas o futuro é tão incerto. O nosso primeiro ministro tem um plano tecnológico, quer ter mais doutores no seu país e ainda por cima gosta da Finlândia. Eu acho que estou a sentir algum cheiro a bolsa de estudo no ar...

E a propósito, disse panástico seu panasca!

27.3.06

Este fim de semana matei um pombo...

Não foi acidental, lamento mas quis mesmo matá-lo. Não sei se foi morte certeira ou se só o deixei adormecido por uns tempos. Acho que não morreu de todo e é provável que volte em fantasma ou qualquer coisa do género para me atormentar. Tê-lo morto ou não é um problema menor. A única coisa que quero mesmo saber é... o que vou fazer ao corpo.
Frito e como que é a melhor forma de esconder o crime, ou uso o tradicional enterro ou arremesso ao mar com um peso atado à pata ou ao bico para o cabrão ir ao fundo?

Pombinho frito já não como aos anos. Acho que no final a digestão pode não ser fácil. Melhor talvez a segunda ou terceira opcão.

23.3.06

O tédio do pinguim

Ai que vida aparvalhada. Hoje tive que acordar cedo como todos os dias, com a agravante que desde que uma certa princesa foi viver lá para casa nunca chegamos ou dormimos antes das 2400. Cá vim, para estar às 1000 no escritório que não tem patrões para dar ordens. O homem da casa foi deportado para um atelier de arquitectos por um mês (trabalhar para trazer sustento para casa) e as bonitonas foram para uma reunião matinal com clientes. Ora a parva da estagiária cá está hoje sem nada para fazer porque o trabalho está dependente da reunião e sem ninguém para lhe fazer companhia. Lembrei-me do pinguim que coitadito não sabe de mim aos tempos.
Pois pinguim devo dizer-te que nada mudou no reino da escandinávia (salvo seja porque isto não fica na península). Continuo a parva de sempre, com as ilusões de sempre confiante que os ventos também podem mudar o que os outros sentem por ti. O tempo por cá voa e cada vez sinto-me menos maestro. Já não detenho a batuta da minha vida, sou um instrumento. Às vezes de sopro e o som flui para onde alguém quer, às vezes de percussão e sinto que a China com todos os seus habitantes me está a passar por cima. Poucas são vezes que me sinto instrumento de cordas e que sinto o dedilhar pela minha pessoa.
Os programas culturais por cá não são muitos. Esta Helsínquia é muito cara para te manteres culto, filmes novos só ilegalmente em casa, música idem, exposicões lá se vão vendo quando se pode e se quer e quando não há nada melhor para fazer.
Devo dizer-vos que a primavera chegou à dois dias, estão entre os -5 e os 0 graus e neva com frequência. Contudo não me posso queixar assim tanto. Os dias são mais longos, os comecos são sempre atribulados e isto só tem tendência a melhorar.

Um abraco do enviado do norte.

15.3.06

Campismo Urbano

Sleeping area A mesa cor de rosa e os quadros clássicos

A secretária Camper (literalmente)

Zona da recreio

A estante

A janela e o candeeiro azul.

14.3.06

Se os amores de Verão se enterram na areia...

Os de Inverno enterram-se na neve?
Empurram-se da colina de trenó e reza-se para que no fim não haja aterragem macia?
Ou matam-se de hipotermia na estação central a seguir ao último autocarro nocturno??

13.3.06

Falando em Intermitência Afectiva

Alguém me disse um dia que o caminho para conquistar o amor impossível era a intermitência afectiva. Esta técnica de conquista consistia em encheres alguém de atencão, esperar e analisar as reaccões face a essa atencão, retirar essa atencão e esperar que a cobaia reagisse da mesma forma que estava a reagir antes da atencão lhe ter sido tirada, na esperanca que esse comportamento lhe devolvesse a atencão de volta.

Tudo claro, compreendi o esquema. A questão posta é, será que funcionará igualmente bem ou melhor se em vez de retirarmos a atencão a dirijamos a outro objecto de estudo que ainda que não interesse assim tanto sempre nos vai entretendo nas horas de tédio?

Assim humildemente a comunidade científica finlandesa questiona a comunidade científica portuguesa na esperanca que na sua imensa sabedoria saibam a resposta certa a este dilema. Contudo, e como a net continua a ser um meio de comunicacão muito lento, eu vou continuar com os meus estudos em campo para ir adiantando trabalho.

10.3.06

Friday Morning Blues


When weekend comes to soon
nothing good follows the day after
My Thursday was to crazy
My Friday a disaster.

Hard headache, zombie look
Friday morning was a mess
I was to bad for working day
I had to go there anyway

The hangover was not the worst
there was a flue coming its way
there´s also cuts in my hands
from the bitchy coldy day

When I thought I was safe
going my way to bus
I found out I had no cards
ID, Travel or Credit ones

Went back home to get all that
also to get a good strong pill
Lost the last bus that would get me work
Before the last you're too late ring.

Boss called me, he wasn´t mad
just needed some milk for coffee
he said, Paula can you be a love
and pass by supermarket to buy it

A love I was, I went right away
I lift some money from the 'otto'mat
Because of the huge gloves all the time
At floor 20 euros were left behind.

I bought the milk, went to the cashier
No more 20 euros on my hand
At other hands they were behind me
In lucky games being spend.

Lucky morning was not mine
I only had reasons to cry
My Thursday night was a bit to high
My Friday morning a bit to dry.

6.3.06

In Público. A razão pela qual ainda não me constipei, mas volta e meia sinto-me deprimida.

Investigadores austríacos
Estudo revela que cerveja tem efeitos anti-inflamatórios
03.03.2006 - 18h06 AFP

A cerveja, com e sem álcool, tem efeitos anti-inflamatórios, afirmam investigadores da Universidade Médica de Innsbruck, na Áustria.
"A cerveja deve ser acrescentada à lista das bebidas com compostos potencialmente anti-inflamatórios", salientou Dietmar Fuchs, principal autor da investigação. Contudo, o investigador alertou para os efeitos negativos de um consumo desequilibrado de cerveja. "As nossas descobertas não podem ser entendidas como um encorajamento ao consumo de álcool", sublinhou Fuchs.As experiências in vitro realizadas pela equipa da Universidade de Innsbruck mostraram que extractos de cerveja inibem a degradação do triptofano, precursor da serotonina, sem o qual é impossível sintetizar serotonina suficiente para as suas várias funções.A serotonina é um neurotransmissor existente no sistema nervoso central que regula uma multiplicidade de funções, as mais importantes das quais estão relacionadas com a depressão.

5.3.06

Mais coisas da terra gelada.

Onde enterraram o Aalto. A Colina dos Artistas.

O olhar dourado sobre o trabalho.

Rautatientori que é como quem diz Praça Central.

Ainda se lembram desta gaja? Sim agora a moça está sempre gelada e descolorada.

Manerhemintie from CafeJava.

The ultimate Culinary Experience. Da esquerda para a direita: MARTTI, DIANA, SAKU, ANNA, ESSA e OSMA.

The dancing quenns. Laura, Di e Euzinha....


3.3.06

The ultimate culinary experience

Não, não é a última ceia, é uma espécie de primeira ceia na nossa casa recentemente decorada.
Ontem recebemos uma mesa de cabeceira cor de rosa, uma mesa de jantar cor de laranja, um candeeiro azul cor do céu em dia de verão em Portugal, cadeiras rosa choque e juntámos tudo aos bancos verdes da Diana. Para combinar juntámos-lhes um vaso Aalto azul com uma vela rosa, uma vela verde e uma vela branca. As flores são margaridas e são brancas. Sim a nossa casa na Finlândia é uma cantina Mariachi. A boa notícia é que gracas a todos os objectos novos que recebemos amavelmente dos meus patrões, hoje vamos poder oferecer, sem ninguém ficar de fora, a derradeira experiência culinária a todos os nossos amigos.




O prato principal vai ser empadão de atum porque é fácil, barato, dá milhões e por estes lados é exótico. As entradas são guacamole porque há que fazer comida que faca sentido no novo ambiente da minha casa. A bebida é sangria, caipirosca e a bela birra que nunca pode faltar. Sobremesa? Vão-se catar que com isto já tenho trabalho que chegue. Comam gomas, ou mordam-se uns aos outros.

Então quereis vir até ao norte para uma janta de sul?

2.3.06

Porque é que um mal nunca vem só ou tese sobre a depressão financeira face à depressão emocional.

Hoje, na minha tarde altamente produtiva (sempre que vejam mais que um post diário podem associá-los directamente ao facto de eu andar a laurear a pevide no escritório), analisei a minha vida amorosa face à minha conta bancária e, baseando-me na regra portuguesa que um indivíduo é suficiente para criar um estudo fiável com dados estatísticos, resolvi escrever a tese "Porque é que um mal nunca vem só ou tese sobre a depressão financeira face à depressão emocional."

Qual é então a razão principal para eu, em plena fase de depressão emocional, ter muito menos dinheiro do que em alturas que estou happy happy, joy joy, com companheiro ou sem ele?

A razão é na realidade muito simples. Quando estás solteira, sem prespectivas concretas de deixar de estar nos próximos meses e com um tipo na tua perna que não está disposto a fazer nada contigo para além de te levar à loucura (clínica), o dinheiro vai-se como os cães vão aos ossos, como os turistas algarvios vão ao mar, como os homens na casa dos 40 vão às putas.

Vai-se porque quando estás solteira, sais mais à noite na esperanca de encontar o homem que te vai preencher ou simplesmente o homem que te está a enlouquecer, se sais mais, bebes mais, fumas mais chegas mais tarde a casa. Se sais mais compras mais trapinhos para poderes estar mais apresentável quando sais e assim se vai o dinheiro.

Mulheres se quereis ser saudáveis financeiramente mantenham distância de homens que não sabem o que querem, ou que sabem o que querem mas não o sabem dizer, ou que são estúpidos, ou que não são manipuláveis, ou simplesmente homens que sejam homens de um modo geral. Outra opcão é prenderem um para a vida que, preferencialmente, vos pague as contas.

Verificaste o combustível? - Não e tu verificaste? - Não e tu? ... Verificaste?


A todos vós que já correram mundo no meu belo Aresta Mobile, este assunto da falta de combustível não lhes deve ser totalmente estranho. Ele foram muitas as vezes em que o Mobile ficou coitadito sem combustível e não arrancou. Mas o Aresta Mobile é um Peugeout. Leva 5 pessoas no máximo apesar dos seus recordes estarem acima disso. O que é inédito meus caros e que todos vós, enquanto portugueses, vão sentir orgulho que não tenha acontecido nesse belo paraíso à beira mar plantado, é o belo do volvo que leva umas 30 pessoas sentadas e outras 20 de pé tenha ficado sem gasolina à 01:00 a.m. em Helsinki. Lindo, lindo lindo. Gracas a Deus a travessia Rautatientori - Suutarila não se faz de avião, porque seria sem dúvida a piada mais negra da história do humor finlandês.

1.3.06

Afinal era o SPM

Esta última semana foi de gritos. Tudo estava péssimo, a música era blues. Achei que era a vida a correr-me mal demais e tudo a acontecer ao mesmo tempo. O trabalho aumentou e pela primeira vez tive que fazer horas extra, o romance também não parava por estas bandas, a conta bancária era de -40 e as temperaturas de -10. A minha bela voz de fadista andava a desaparecer e o meu belo discurso já não estava no nível desejado. Sentia-me um SIM sem amor, sem comida, sem conforto, sem higiene, sem dinheiro. O meu simómetro estava vermelho, o meu nível de aspiracões vermelho estava.
Andava para aqui já a maldizer Deus eis que não quando, fui ver... era só S.P.M. O saldo bancário agora é positivo, as temperaturas continuam em -10 mas desta vez não me chateia. O trabalho está entregue, pronto e com elogios. O amor, bem continua por resolver mas desta vez o tipo não perde pela demora.