28.6.07

Ventos e marés

Johanus é o Sto. António de cá, a diferenca é que cá é uns dias mais tarde, o santo de cá é o sol e a celebracao é no campo, no meio da natureza e nao na cidade com a sardinha e o manjerico. O meu Johanus foi passado no mar. Velejei companheiros, tal qual os nossos antepassados animados por conquistas. Foi demais. Há muito que nao me sentia tao bem. Tudo estava perfeito, até o tempo ajudou. Comemos, bebemos e voltámos à cidade. Dividimos os pertences, eu fiquei com as salsichas vegetarianas e a compota de pêra e acho que fui das que ficou melhor servidas. Mas assim que se poe o pé na cidade, e desculpem lá agora o meu tonzinho Cesário Verde, perdeu-se logo o espírito da tranquilidade. Egos gigantes passeavam pela rua e acenavam com a cabeca o hello how are u fine thank you and you, o outro entupiu-me com os seus problemas amorosos, a companheira de casa com as suas fustracoes profissionais, o escritório em patanas e o desenho de painéis acústicos que nunca mais tinha fim... e foi-se embora... a tranquilidade e a minha enxaqueca de estimacao também se foi por um ano, viver para a terra dos relógios, dos milka, dos neutros e fascistas e eu que há dois dias atrás achei que nao ia fazer mal perder essa pequena preocupacao por uns tempos, fiquei com aquela sensacao que metade da diversao foi-se enterrar num buraco no meio da Europa. E é uma pena ver tanta desarrumacao mudar-se para um país tao organizado.

19.6.07

Dan Mangan - Journal Of A Narcoleptic

A musiquinha que me tem adornado a depressão.

Eh pá, nem imaginam o que é que me aconteceu.

Nada, absolutamente nada. Mais de uma semana passa pela vida de uma pessoa e nada acontece. É verdade que caí da bicicleta e não foi bonito de se ver e também é verdade que no dia seguinte os meus antigos patrões ligaram-me a chamarem-me para um trabalho com eles mas ainda assim nada aconteceu. Trabalho de restaurante, comidinha boa de graça, meia dúzia de problemas amorosos, concerto de Lemonheads no Tavastia, invasão de propriedade, massagem no Teatteri, 24 horas diárias de extrema ocupação e ainda assim, nada acontece.

É horrível ser portador deste síndrome António Variações. Amanhã vou começar uma banda com o nome Sisters of Boredom, conto com mais alguém?

10.6.07

A receita da sopa

Reza a lenda que um tipo um dia morto de fome, ferveu um tacho de água com uma pedra lá dentro para fazer sopa. As pessoas que se iam aproximando, por curiosidade, interesse ou fome, perguntavam-lhe o que ele andava a fazer e iam acrescentando condimentos à sopa, transformando-a em algo que nao era mais só água fervente com uma pedra.
Um vizinha passa e atira lá para dentro uma batata e a sopa de pedra passa a ser de pedra e batata, outro acrescenta-lhe cenoura, outro couve, outro carne, outro chourico e a sopa que de iníco nao era mais que água passa a ser uma confusao de ingredientes que podem facilmente, em demasia e combinacoes pouco ortodoxas, nao só matar a fome como causar uma bela de uma indegistao.
Caros amigos, bem vindos à lenda da minha vida. Primeiro veio o nabo, depois o chourico, depois a couve, depois a batata, depois a couve outra vez, depois o naco de carne, depois uma cenoura pelo meio e quando se achava que o prato já estava completo, eis que nao vem mais um pouco de chourico. Sinto que nao se está longe de ver o caldo entornar.

7.6.07

Maratona...

Adoro ver como as coisas funcionam de forma tao naturalmente estúpida quando o amor ou algo tangente entra na equacao. Existe sempre a momento do encanto, do flirt e da conquista e aí sao feitas propostas que parecem quase impossíveis, que sao realmente impossíveis mas que por terem sido feitas naquele momento nós achamos que sao aceitáveis e concretizaveis e assim assina-se o contrato. Ambas as partes sao igualmente responsáveis pelo que vem a seguir, uma porque foi esperta o suficiente para jogar no lado seguro que lhe desse mais oportunidades de vitoria, a outra porque foi ingénua, sabia na altura que estava a ser ingénua e mesmo assim deixou-se enganar.

É feita a promessa que nao é um jogo o que está ali a acontecer, que isso nao faz o nosso género. Que estamos realmente interessados, que nao há nada que nos possa interessar mais, e se calhar naquele momento, nao há mesmo. Mas assim que o jogo, que nao é um jogo fica ganho, passam a haver poucas coisas que te interessem menos do que aquilo que à poucos minutos atrás te interessava tanto.

O cinismo é sem dúvida a melhor arma que Deus nos deu.

4.6.07

Death Proof

Foi a melhor experiencia cinematográfica que já me puseram à frente e por isso tenho que escrever sobre ela no pinguim. O Domingo estava a ser um domingo qualquer, com as cornetas da depressao a entoar lá ao longe porque todo o fim de semana tinha sido sinónimo de trabalho arduo e fustracao. O tempo estava melhor do que é normal e passei o dia todo a repor os níveis de melanina no parque, tal como hoje estou a repor os níveis de chocolate no sangue. Enfim, morte aos dementores que me habitam o cérebro. E quando só me parecia possível voltar a casa, dormir profundamente e esperar que amanha acordasse melhor, o Martti puxou-me pelo colarinho direito ao cinema.





O melhor filme que eu já vi em toda a minha vida. Nunca antes saí do cinema com tanta energia e atitude girl power. As imagens e aquela violencia cruel, mas ao mesmo tempo graficamente linda, em que se ve os grandes planos da desgraca, o scratching dos murros, o vilao a apanhar de tres gajas, lindas de morrer, sexys como nenhuma Xena a guerreira conseguiu ser. As cores, os contrastes de preto e branco para depois se verem cores lindas e cheias de brilho e depois aquele estilo urbo-rural, em que uma Rosario Dawson linda, sai com roupas de centro de cidade europeia do carro, sem sapatos, para calcar uma botas de cowboy incríveis (nota mental - comprar botas de cowboy). A menina do CSI, num lap dance incrível a mostrar a quantidade certa de carne... chichinha como nao é normal ver neste tipo de miúdas do cine americano. Foi o melhor filme que eu já vi, e se voces nao forem da mesma opiniao, desculpem se vos ofendo, mas sao uma cambada de meninas.