O nosso mundo de redondo que é tem sempre destas coisas. Uma pessoa mexe-se para sul e a sua vida fica um infernozito terreste que é qualquer coisa. Cheguei a Portugal fez ontem 8 dias. Ao aterrar em Lisboa, pela primeira vez em toda a minha vida, a excitação de ver as colinas, as casinhas de mil cores, a ponte 25 e o castelo não foi lá grande coisa. Abertamente, desta vez eu não estava a fazer grande questão no meu regresso. Não me interpretem mal, eu gosto muito do meu país, é bonito e tudo e tudo mas ele há coisas que me irritam.
Segunda-feira, dia 10 - Chego a Lisboa às 13:00. Mamma de mio cuore espera de braços abertos e lágrima no canto do olho. A Portela é sem sombra de dúvida o aeroporto mais teatral de todo o mundo, creio que nem a Venezuela ou o México, com as suas novelas de fazer chorar a pedrita da calçada, conseguem ser tão dramáticos na hora do 'Olá que já não te vejo faz tanto tempo' ou do 'Adeus, oh vai-te embora'. Saímos da comédia gregó-romana e fomos para Loures procurar um restaurante. O sítio onde eu moro está tão à frente com o seu slogan de 'terra de futuro' que nem precisa de comer à segunda-feira. Tudo quanto era restaurante, casa de pasto, ou qualquer outra coisita do género, estava fechado. Lá seguimos mais para norte um bocadinho e encontrámos um restaurante cuja a especialidade era leitão mas que também sabia fazer um belo polvo à lagareiro. Estive mais de 3 horas à mesa a comer e a beber. Os meus pais ficaram com a ligeira impressão que eu não comia desde que saí de Portugal em Janeiro e, de certa forma, polvinho com batatinha assada e vinho branco com bolhinhas, já não comia fazia algum tempo. Chegámos a casa, ficámos o resto do dia sem fazer nada até que à noite lá fui beber cafézito com a Ritinha para pormos a conversa em dia.
Terça-feira, dia 11 - Resolvo ir ao banco resolver os meus problemas financeiros. O Montepio é simpático e dá-me um cartão de crédito. Mas não me diz que eu só o posso usar dali a 48 horas. Eu como já não usava o meu electron há muito tempo e me esqueci do código porque na Finlândia não era preciso usá-lo, resolvo tentar levantar dinheiro com o meu cartão novo. A caixa ficou com ele. Vou ao banco queixar-me, eles dizem "Ah a menina precisa de 48 horas antes de o usar. Precisamos do fax do banco que lhe ficou com o cartão. Arranje-o". Lá fui buscar o número do fax, lá o fui levar. (Um cartão = 3 idas ao banco no mesmo dia). Depois fui para Lisboa, cortar o cabelo a uma cabeleireira pouco inspirada que me transformou no Steve Tyler (ver Boing Boom Tschak) um bocadinho mais gordinho. Lá encontrei o amm da CAMMA (alves, medeiros, mira) os meninos e menina do meu coração e Herlander. E este dia também teve direito a almocinho com a RU.
Quarta-feira, dia 12 - Pouco há para contar deste dia de fastio em que resolvo começar a desfazer a mala. A minina Pat Jessie Cat resolve voltar do Milão, para o qual foi sem dizer nada a ninguém e vamos ao Dallas beber uma águita fusquinha que este calor já nem deixa uma pessoa comer ou beber café (os dois maiores prazeres). Fui ver a Dra. Sónia, a Dentista mais Sexy de todo o mundo que está com uma barriga bem redondinha de onde vem mais uma cachopinha para virar o mundo ao contrário. Deu-me duas notícias. A boa foi saber que a tipaleipa finlandesa não venceu e o meu dente partido tem reconstrução. Má notícia, a gravidade, gengiva mole e língua ganharam e quinta feira que vem serei um Steve Tyler com aparelho nos dentes. LOVELY.
Quinta-feira, dia 13 - Ligo ao Afonso, ele dá-me trabalho para a semana (escrever o relatório o mais depressa possível). Vou sair com a Ru e o Tiago e a amiga Italiana da Ru que a veio visitar. Fomos ao Chapitó e tive que passar uma noite a falar portinhol. Vós que me conheceis melhor sabeis que isso para mim não é fácil e me deixa de nervo em franja. O Esa liga e diz que Sábado às 23 chega a Lisboa.
Sexta-feira, dia 14 - Fico o dia todo em casa a escrever o relatório e a desidratar porque o calor por cá ... é que não há paciência.
Sábado, dia 15 - Lo mismo que sexta mas às 23 vou buscar o Esa. Vimos à minha casa, ele janta e bebe mundos. Vamos para Santa Cruz para o Carnaval de Verão que estava a acabar... Bebemos a noite toda com a Catarina, vamos para a casa dela dormir.
Domingo, dia 16 - Encontro o meu André na escada quando vou a sair do quarto... felizmente há tanta gente bonita para rever por cá, almoçamos um polvo delicioso feito pela mãe dos manos maravilha e vamos para a praia a tarde toda. O Luís também lá estava e foi uma tarde de piadas em torno de um jornal. Voltamos ao fim da tarde, jantamos com os meus pais um peixe assado no forno que estava DEMAIS e vamos ao bairro beber um copo. Mais uma vez fico sem o cartão numa caixa multibanco. O Esa faz novos amigos e pelos vistos eu também dado que Joni foi despromovido de Demo. Perco a minha voz, consequências a meu ver tabagísticas, pelo 4º fim de semana consecutivo.
Segunda-feira, dia 17 - Vou ao banco tentar resolver o meu problema com o cartão e apanho uma bancária pouco simpática que me diz "Como é que o queria poder usar se ele não está activo" com a pior atitude que já vi alguém ter atrás de um balcão. Eu respondo "Olhe é assim, eu já vim 4 vezes a este banco por causa desse cartão para o ACTIVAR, e como tenho pouca paciência para essas coisas e como a senhora não me quer com mau feitio, vamos cancelá-lo" a atitude dela mudou logo e ficou uma simpatia. Disse-me que para o cancelar sem custos tinha que o ir buscar ao banco que me tinha ficado com ele, precisava do fax, eu tinha que o arranjar. Mais uma vez, bastante calma pelo menos no tom eu respondi "Não, não tenho. A senhora é que vai pegar no telefone, vai ligar para as informações, pedir o número do banco, ligar para o banco e pedir o fax de lá. Mandar o fax e então eu irei a lisboa buscar o cartão." E assim foi. É lindo o respeito que me têm quando eu uso o meu tom rouco.
Depois fui passear o Esa ao Bairro e ao Chiado e encontramos os outros dois filandeses, novos amigos do Esa. Fomos almoçar à Casa da Índia e depois fomos ao Castelo. O resto da tarde foi de vinho no Chapitó e à noite encontro a minha Chinesa e o Italiano dela no bairro. E assim acontece, vão-se matando saudades e algumas células entre birras e altas temperaturas. Segunda-feira fumei o meu último.
Hoje recomeça uma nova Pala, esperemos que tenha voz daqui a nada porque já me cansa esta vida de fadista frustada que não consegue dar-lhe nos graves. Hoje o meu futebolista faz anos.