23.3.06

O tédio do pinguim

Ai que vida aparvalhada. Hoje tive que acordar cedo como todos os dias, com a agravante que desde que uma certa princesa foi viver lá para casa nunca chegamos ou dormimos antes das 2400. Cá vim, para estar às 1000 no escritório que não tem patrões para dar ordens. O homem da casa foi deportado para um atelier de arquitectos por um mês (trabalhar para trazer sustento para casa) e as bonitonas foram para uma reunião matinal com clientes. Ora a parva da estagiária cá está hoje sem nada para fazer porque o trabalho está dependente da reunião e sem ninguém para lhe fazer companhia. Lembrei-me do pinguim que coitadito não sabe de mim aos tempos.
Pois pinguim devo dizer-te que nada mudou no reino da escandinávia (salvo seja porque isto não fica na península). Continuo a parva de sempre, com as ilusões de sempre confiante que os ventos também podem mudar o que os outros sentem por ti. O tempo por cá voa e cada vez sinto-me menos maestro. Já não detenho a batuta da minha vida, sou um instrumento. Às vezes de sopro e o som flui para onde alguém quer, às vezes de percussão e sinto que a China com todos os seus habitantes me está a passar por cima. Poucas são vezes que me sinto instrumento de cordas e que sinto o dedilhar pela minha pessoa.
Os programas culturais por cá não são muitos. Esta Helsínquia é muito cara para te manteres culto, filmes novos só ilegalmente em casa, música idem, exposicões lá se vão vendo quando se pode e se quer e quando não há nada melhor para fazer.
Devo dizer-vos que a primavera chegou à dois dias, estão entre os -5 e os 0 graus e neva com frequência. Contudo não me posso queixar assim tanto. Os dias são mais longos, os comecos são sempre atribulados e isto só tem tendência a melhorar.

Um abraco do enviado do norte.