Perspectivar o Futuro
Quem tivesse falado comigo no princípio da semana ia encontrar uma pessoa deprimida, decepcionada, com poucas esperanças no futuro e com muitas dores nas articulações. Ao fim de dois a mesmo pessoa continuaria com todos os sintomas anteriores mais febre, nariz entupido e mais dores nas articulações. Mas sexta tudo mudou.
Os sintomas acima apresentados foram causa de um desvio de precurso. Numa tentativa desesperada de me ocupar, inscrevi-me numa pizzaria que há aí por todo o mundo e fui trabalhar na cozinha da dita cuja. Ao fim de umas horas nesse sítio apercebi-me que ocupação não era bem o que eu andava a precisar porque o coçar regular da micose e a internet parecendo que não ocupam muito uma pessoa e deixa-nos muito bem dispostos. Pôr a leitura em dia, poder alugar filmes e ver o Dr. House mesmo que seja às 3:00 sem ter problemas de consciência que amanhã vamos estar zombies no trabalho, são coisas que ocupam muito uma pessoa. Procurar por solução que nos empregue de preferência antes dos 40 anos para podermos sair de casa dos pais, é uma ocupação. E são ocupações que não doem, são ocupações saudáveis, que nos deixam num estado apático-infeliz mas saudável. É uma infelicidade regular, daquelas que todos temos e até são boas para equilibrar com as euforias constantes que a vida nos traz.
Agora que já dei uma de psicológa de andar por casa vou voltar ao tema. Algumas horas de cozinheira de pizzas deixaram-me logo com vontade de voltar ao desemprego anterior. Porque para todos os efeitos eu continuava desempregada mesmo cozinhando pizzas, não desempregada legalmente (porque isso não seria legaú e poria a TAL casa de pizzas em maus lençois) mas desempregada emocionalmente porque aquilo não era emprego para alguém que anseia pôr em prática as propinas dos últimos seis anos.
Quando cheguei a casa, mais morta que viva, a minha mãe apoiou-me a voltar ao desemprego anterior, e eu voltei. No dia seguinte fui lá despedir-me mas como sou uma idiota, tive peninha e disse que faria aquilo até ao fim da semana. Lá fiz, segundo e terceiro dia, quarto dia liguei a dizer que estava doente, e estava, não era fita, quinto dia tive folga, e liguei para lá a despedir-me outra vez.
Hoje, após desdramatizar a minha semana, dei-me conta que há uma carreira nisto de trabalhar durante uma semana em sítios que não gostamos. Posso chamar-lhe “Drive test de empregos fracos. Descobrir aspectos decepcionantes daqueles sítios que tanto gostávamos antes de trabalharmos lá.” Tenta-se isso por uma semana e depois maldiz-se o lugar num qualquer blog ou espaço da TVI. Dessa forma exorcizamos as decepções semanais e desiludimos todos os nossos amigos que adoravam aquela receita específica daquele restaurante. E ainda apoiamos a nova táctica da UE levando as pessoas a racionalizarem o consumo. “DTEF.DADDSQTGATL.” É uma carreira como qualquer outra. Temporária, poucas perspectivas de futuro, cansativa, decepcionante e pouco lucrativa. Contudo emociante e imprevisível pois nunca saberemos qual será a nossa próxima função.