25.2.07

You shall not pass the Knights of Ni

Facilmente se vence os cavaleiros do sim e facilmente também derrotamos os cavaleiros do não, mas os do Ni é uma tarefa quase impossível. Aos que pensam que o que se segue é uma crítica tardia ao referendo do aborto, talvez, mas acima de tudo isto vem de ter revisto um filme dos Monty Python e de ontem ter ouvido uma notícia que os portugueses tornaram possível a realização de um teste para descobrir o sexo da criança às 8 semanas de gestação. Felizmente não espalharam essa notícia antes de ganharmos o referendo. Mas com isto dei-me conta que o que faz com que Portugal seja à tantos anos tão defensor do Ni é sem dúvida o facto de tudo neste país ter que ter um sexo e estar tudo emparelhado em macho e fêmea. A sanita e o autoclismo, o ralo e a torneira, a Paula e o computador.
Parece realmente que vim para a casa de banho discorrer de ideias tão profundas, mas é sabido que é lá, principalmente nas casas de banho públicas, que “nascem” (às vezes literalmente) e se criam os grandes filósofos e poetas deste país. Adiante, falava do problema de tudo neste país ter um género. Falta-nos, a nós e à maioria dos países latinos, não uma nova religião e menos conservadora. Nós precisamos é de acrescentar ao nosso vocabulário a palavra It. Se em vez de chamarmos ao feto ou à semente o bebé ou a criança, nos referíssemos a “eles” como It, o afastamento emocional da situação era muito maior. Vamos desprover de género todos os objectos e seres vivos não falantes ou pensantes e passemos a tratá-los por It, ou a palavra latina equivalente. Caso não se lembrem, ou não tenham visto, no filme dos Python, It era a única palavra capaz de derrotar os Cavaleiros do Ni.